Abertura da 2ª Cnater é marcada por grande ato contra retrocessos nas políticas públicas

31/05/2016

Marcada por um grande ato em defesa da democracia e de participação social, a cerimônia de abertura da 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (2ª Cnater), aconteceu hoje (31/05), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães em Brasília e contou com mais de mil pessoas de diversos segmentos da sociedade civil, além do ex-ministro do extinto Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), o deputado (PT/MG), Patrus Ananias, que ressaltou a importância do tema do rural na vida dos brasileiros. 

Para Ananias, houve muito aprendizado  entre  desafios impostos e as possibilidades relacionadas com a agricultura familiar. “Desenvolvemos diversas políticas para o melhor desempenho da população no campo, entre eles os avanços no âmbito do plano de sucessão rural e de juventude, não podemos deixar o que nós conquistamos juntos acabe, aquilo que achávamos que era pouco ainda pode avançar”, disse. 

De acordo com o representante da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), Paulo Guilherme Cabral, o reconhecimento do trabalho realizado pelo governo anterior estruturou a política de assistência rural. “É impossível não falarmos do contexto atual da política da agroecologia sem fazemos uma saudação a todo o trabalho realizado anteriormente e que está aqui presente nessa Conferência que é uma grande resistência do povo rural”, disse. 

EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Segundo Marcos Rochinski, coordenador-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf),  a defesa do direito à democracia é fundamental para o enfrentamento ao conservadorismo e a invisibilidade das políticas rurais. “Um conselho que representa os trabalhadores rurais do país e que se dedica a implementação de políticas para a população do campo é fundamental para a sociedade brasileira, não podemos deixar isso acabar”, disse. 

A representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alessandra Lunas, afirmou que a Conferência é um legado conquistado pela democracia no país. “É na prática que fazemos a diferença no meio rural, realizamos um processo transparente com paridade nas representações, as mulheres fizeram a diferença na construção dessa Conferência. 

NOVA COORDENAÇÃO

Em reunião realizada entre conselheiros do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural e Sustentável (Condraf), foi consensuado a nova presidência do pleno, antes exercida pelo então ministro Patrus Ananias. A partir da data de hoje, os representantes da sociedade civil, Marcos Rochinski, coordenador-geral da Fetraf, Mandela, representante da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, e Alessandra Lunas, secretária de mulheres trabalhadoras rurais  da Contag, irão presidir o Conselho. 

Para o secretário-executivo do Condraf, Rodrigo Amaral, o grande desafio hoje é pensar a pós conferência, no acompanhamento das propostas que serão deliberadas durante esse processo participativo, que ao todo somam 30 proposições. “Temos ainda, ao final da Conferência uma carta política que irá tratar do modelo de desenvolvimento rural que a sociedade civil quer”, disse. 

A regulamentação dos processos de participação dos Condraf, viabilizado por meio de decreto, assinado pela presidenta Dilma Rousseff, afastada do cargo por 180 dias, incorpora entre outras questões, a paridade de gênero na composição do Conselho e a garantia da participação dos jovens, além da convocação tanto das eleições, quanto das conferências de Desenvolvimento Rural e Sustentável, além da Cnater de quatro em quatro anos.

Texto: Condraf