CHICO CÉSAR: contra o totalitarismo do Estado, o Estado de Poesia na 2ª Cnater

02/06/2016

A noite de ontem (01/06) contou com apresentação do paraibano Chico César em seu novo show, durante a 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (2ª Cnater), em Brasília. Chico emocionou ao cantar “contra o totalitarismo do Estado” e emanar o que propõe como “Estado de Poesia”.

O show foi formado pelo repertório do disco novo, gravado na Paraíba, com músicos locais, sendo uma homenagem ao seu primeiro trabalho autoral em oito anos. O trabalho marca seu retorno aos palcos com novas composições e uma nova banda. Além disso, o show também contou com a compilação dos maiores sucessos do artista.

Apesar de estar machucado após uma queda recente, Chico mostrou vitalidade, ainda que estivesse com o braço e o ombro imobilizados. Uma das canções mais esperadas pelos delegados e delegadas da 2ª Cnater foi "Reis do Agronegócio", onde o cantor constrói uma narrativa que critica duramente os ruralistas, os deputados conservadores e a produção de alimentos em larga escala com o suporte de veneno na produção.

Durante o show, o paraibano também fez críticas ao machismo, ao racismo e à homofobia, fortalecendo a luta aos participantes da 2ª Cnater diante do contexto político atual. A apresenação foi marcada por palavras de ordem e falas que defendiam o extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e repudiavam o atual governo interino. 

Chico é referência na defesa da agricultura familiar, da produção orgânica, agroecológica e sustentável. Discussões que fazem parte das principais pautas da Conferência.

Mais cedo, o grupo P1 Rappers abriu o show do cantor. Diretamente de Juazeiro (BA), os artistas cantaram o rap da juventude rural baiana, com músicas que retratam o cotidiano do Vale do São Francisco e as pautas sociais locais. Hoje (02/06), é a vez do rock rural da banda Talo de Mamona (DF) e da Diva do Carimbó, Dona Onete, que prometem um grande show. O acesso é gratuito.

Planapo

Durante os shows, foi lançada a publicação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica 2016-2019 (Planapo), lançado em maio pela presidenta Dilma Rousseff. O documento é uma conquista da sociedade civil, construída após amplo processo de participação social.

O plano busca implementar programas e ações indutoras da transição agroecológica, da produção orgânica e de base agroecológica. Com investimento inicial de R$ 8,8 bilhões, suas ações articulam dez ministérios em 125 iniciativas, distribuídas em quatorze metas e organizadas a partir de quatro eixos estratégicos: Produção; Uso e Conservação de Recursos Naturais; Conhecimento; e Comercialização e Consumo.

Texto: Condraf