Dona Onete reafirma a importância das mulheres na luta pela democracia e pela cultura

03/06/2016

Diretamente do Pará, a “diva do carimbó chamegado”, Dona Onete e sua banda desembarcou na 2ª Cnater, em Brasília, ontem (2/06) na última noite de shows da 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (2ª Cnater).  O show, marcado pela sensualidade e alegria dos ritmos do Norte, também foi palco para diversas manifestações em defesa da mulher e democracia.

A compositora, que tornou-se referência para a música brasileira cantou sucessos  do álbum “Feitiço Caboclo”, lançado em 2012, como “Proposta indecente”, “Amor brejeiro”, “Poder da sedução”, “Moreno Morenado”, “Feitiço Caboclo” e “Jamburana”.

A musa da música paraense também cantou canções do seu segundo álbum que está sendo gravado este ano, como “É no sabor do beijo”, “Rio das Flores” e “Banzeiro”. Dona de uma voz rouca e grande sensualidade, essa senhora de 76 anos, ela inventou "carimbó chamegado”, que, segundo ela, tem o balanço do carimbó, mas “com um toque de pimenta”. A apresentação teve direito a dançarinos de carimbó voluntários que subiram ao palco por convite dela.

Mulheres, Cultura e Democracia

Para Dona Onete, as mulheres e os jovens são responsáveis por organizar os grupos culturais do país. “Estamos exportando a nossa cultura, hoje mesmo aqui no palco subiu uma menina da Ilha de Marajó. Eu quero é felicidade para as pessoas. Quando cantei bolero, pensei que ninguém iria dançar junto. Mas, não, as pessoas gostaram e a maioria era jovens”, comemora.

Após a extinção do Ministério da Cultura pelo atual governo interino, Dona Onete afirma ter ficado “muito triste”. Ela, que em 2016 fará cinco shows nos Estados Unidos, acredita que é uma desvalorização da riqueza cultural do país. “Sempre trabalhei com cultura, isso é muito bom para o país aparecer lá fora, nossa cultura é muito rica”, disse.

A cantora também falou sobre a conjuntura política atual. “Temos que ser fortes para não vivermos uma regressão. Eu vivi o Golpe da Ditadura Militar. O que acontece hoje no país é o poder assumido por homens brancos, que a gente não conhece, não sabemos muito deles. Parece que eles usam máscaras”.

Dona Onete também defendeu a presidenta Dilma Rousseff após o show. “Dilma foi muito forte, vamos torcer para que ela volte. Fico muito triste com essas pessoas que defendem o governo atual. A resposta que temos que dar para pessoas ignorantes é o silêncio, tenho pena”, finalizou.

Texto: Condraf