Mulheres de todo o país debatem assistência técnica rural

10/12/2015

O machismo está presente no dia a dia de todas as mulheres. Porém, as que vivem no campo sofrem ainda mais com os casos de violência, opressão e falta de oportunidades. Esses são alguns dos motivos que uniram 100 mulheres, de todo o país, na 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para Mulheres (2ª Cnater Mulheres), que acontece nesta quinta (10), em Brasília.

Esta é a primeira conferência temática rumo à etapa nacional da 2ª Cnater, que acontecerá entre 31 de maio e 3 de junho de 2016. As 30 propostas de políticas públicas definidas entre as mulheres hoje e amahã, serão encaminhadas ao documento final da conferência.

Para Maria Fernanda Coelho, secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a etapa temática é um lugar “para discutir um modelo de produção que privilegia as relações humanas e afetivas, questionando o agronegócio. São espaços como esse que enchem nosso coração de esperança”.

Célia Watanabe, diretora de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do MDA, frisou a paridade de gênero nos espaços participação social como princípio fundamental para que a igualdade de direitos seja alcançada. “Aos poucos, temos melhorado a presença e a participação das mulheres entre o público que atendemos. Precisamos reconhecer o papel das tralhadoras na construção da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater)”.

Desafios

Nos últimos anos, as políticas para as mulheres rurais têm aumentado. Contudo, Rosa dos Santos, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MA), evidencia a necessidade de ampliar ainda mais as ações específicas. “Até hoje, as políticas de Ater precisam ser efetivadas em muitos espaços. O que já foi feito ainda não tem atendido todas as ansiedades das mulheres estão na roça, no extrativismo e na agricultura”, disse.

Os desafios levantados pelas representantes dos movimentos sociais, entidades, redes do campo e governo destacam a promoção da agroecologia e comercialização para mulheres rurais. Elas também indicam a necessidade de formação sobre a igualdade de gênero entre os povos dos campos, águas e florestas, além do acesso ao crédito e da formação e assessoria técnica para as trabalhadoras rurais.

A etapa temática de mulheres é uma realização do Comitê Permanente de Promoção de Políticas para as Mulheres Rurais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf) e da Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais do MDA. As proposições extraídas dos dois dias de debate deverão compor o relatório que vai nortear as políticas do MDA pelos próximos 4 anos.

Mulheres, Ater e Reforma Agrária

De acordo com dados do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 1986, existiam no Brasil 67 assentamentos em 61 municípios. Em 2003, o número ampliou para 4.883 assentamentos, atendendo cerca de 500 mil famílias. Atualmente, são 9.109 assentamentos em 2.027 municípios, atendendo a 956.780 famílias – um aumento de quase 100% em 12 anos. Isso representa 88 milhões de hectares. 

Segundo dados do MDA, de 2012 a 2015, 7.200 mulheres foram atendidas com as políticas de Ater, 6 chamadas públicas para mulheres foram realizadas, 118 técnicas e técnicos participaram das ações. De 2004 a 2014, foram investidos R$ 40.000.036,58 em política de Ater, totalizando 59.305 mulheres beneficiadas. Durante a abertura, as participantes receberam exemplares da cartilha do Fomento Mulher, linha de crédito disponibilizada pelo Incra.

Texto: Condraf